O Novo Homem

"Não tenho medo da morte. Antes tenho medo da minha mente"

terça-feira, janeiro 10, 2006

A Alienação e o Sonho

Light Trees

Esta manhã, liguei a televisão. Já há algum tempo que me cansei de ouvir relatos de assassínios, intrigas entre políticos, dramas e tragédias. E é por isto que tal gesto me pareceu estranho. A publicidade, o culto do a-beleza-acima-de-tudo ou estórias irreais são coisas que me arrastam para o exterior e não acredito que seja no exterior que se encontra a felicidade. O que vejo não, não é isto... vejo uma sociedade que continua orientada para a vida dos 5 sentidos, sem sobrar tempo algum para a vida espiritual. Claro que na escravatura dos 5 sentidos se vive, mas é uma vida que esconde a verdadeira Vida. E nós, imersos que estamos nesta corrente de estímulos sensoriais, temos medo de parar. Pois ao parar, surge o vazio. O vazio existencial, que nos incomoda e que nos faz sentir sós e pequenos. (Alguém nunca o sentiu? Aos domingos à tarde? Uma prisão no peito?) E, para mim, é nas tentativas de preencher esse vazio que surge a alienação. Os instrumentos da alienação são muitos e a televisão será um deles... E o álcool é outro.

Pois, como ia dizendo, liguei a televisão. Dei então comigo a ver um debate (por acaso, interessante) sobre o problema do alcoolismo no Reino Unido (em 2005, cerca de 5 milhões de adolescentes deram entrada nas urgências dos hospitais devido a consumo exagerado de álcool). Alguém, altamente defensor da Pub Culture, argumentava que há perigos bem maiores que o álcool, como os autocarros e as fugas de gás! Ri-me e continuei a ver o programa. No final ninguém tinha tentado descobrir o que leva tanta gente ao álcool. E no fundo, à alienação.

Se fizessem um estudo sobre a origem da alienação penso que a conclusão não seria “as pessoas são estúpidas e anormais!”. Penso que a conclusão seria: “o vazio”! Não sei quem terá criado o vazio, quebrando o sentimento de Unidade e de Comunhão e nunca soube de ninguém que soubesse tal coisa. No entanto, tenho a dizer que o vazio não é a verdadeira realidade. O vazio é uma ilusão. Acredito que por detrás do vazio existe um outro mundo. Um mundo de plenitude, dilatação, liberdade, leveza e alegria. Quem medita, saberá do que falo. É um mundo a que só se pode ter acesso desligando o botão dos 5 sentidos e desenvolvendo outros sentidos que nos podem realmente pôr em contacto com planos mais vastos e mais reais.

No fundo, com esta conversa toda queria apenas dizer que tenho um sonho (e não estou a ser nada original). Tenho o sonho de nos ver, a nós seres humanos, a olharmos uns para os outros como irmãos, perdidos no mesmo vale. E a juntos, vencermos o medo da escuridão e a voltarmos para o sítio de onde saímos um dia: a Luz!