O Novo Homem

"Não tenho medo da morte. Antes tenho medo da minha mente"

quarta-feira, junho 28, 2006

Olhares...

Tenho um truque!
Para escapar à mente. Para parar a mente. Isto pode não ser importante para certos seres, mas é definitivamente para mim, que tenho excesso de Ar no meu mapa.

É simples: focalizar a consciência 15 cm acima da cabeça. O nosso corpo mental só existe até 15 cm acima da nossa cabeça, e para lá dessa pequena distância, é a Paz, o absoluto, a ausência de medo.
E parece que as coisas já não são vistas com os olhos 3D, mas intuídas com uns olhos abstractos, intemporais. Que deixam de olhar a superfície e passam a olhar o âmago. Os meus olhos deixam de olhar para as tuas roupas, ou para a tua cor de pele, deixam de perder tempo a julgar o que o outro disse, já não se defendem dos ataques que o outro fez.
Porque estes olhos, os que estão 15 cm acima da nossa cabeça, vêm o espírito que está no outro, e que tantas vezes está preso, mascarado por uma personalidade moldada pela materialidade.
Ao ver de cima, o olhar é tão mais abrangente. Vejo o mundo por fora e por dentro. Vejo sem pensar, mas a intuir.

E percebe-se que se perde tanto tempo! Quando se quer usar a mente concreta para ter experiências espirituais. É como ver uma flor numa fotografia sem sequer intuir que aroma ela terá. A mente não pode ir além do que ressoa com ela, e a mente concreta ressoa no mundo concreto. É boa a fazer contas, a planear o almoço de amanhã, a raciocinar no trabalho, a resolver problemas do quotidiano... mas a Vida é, e requer, mais do que isso.
Eu uso a minha mente como um instrumento, e esta mente hiperacelerada e hiperestimulada pára quando a minha consciência se eleva - bastam 15 cm. E uma imensidão de existência surge perante os meus olhos internos, trazendo cores e sons e sentimentos nunca experimentados. É nesses momentos que capto um átomo da Plenitude.

E obrigado André...

domingo, junho 25, 2006

Espírito e Matéria

Oração

Espírito e matéria são dois lados da mesma moeda. O espírito manifesta-se através da matéria; a matéria ganha vida através do espírito.
Todos nós somos corpo humano e espírito humano ao mesmo tempo. As árvores, por exemplo, também têm um corpo e um espírito. E até as pedras que aparentam estar mortas contêm um espírito próprio. Não há dicotomia, não há dualismo, não há separação...

Quanto a mim, o problema não está na matéria mas sim no materialismo. Do mesmo modo, não há problema algum com o espírito mas o espiritualismo sim, é problemático. No momento em que encapsulamos uma ideia ou pensamento num "ismo" lançamos as fundações do pensamento dual. Espiritualismo e materialismo não existem - são apenas criações mentais ilusórias de uma mente dual. O Universo é UNI-verso, um só poema, uma só canção, um só verso. Contém infinitas formas que se complementam, tocam juntas no mesmo concerto, equilibram-se umas às outras... Luz e Escuridão, Céu e Terra, Esquerda e Direita, Espírito e Matéria. Onde está a contradição? Onde está o conflito?

A Vida alimenta a Vida, a Matéria alimenta a Matéria, O Espírito alimenta o Espírito. A Vida alimenta a Matéria, a Matéria alimenta a Vida e o Espírito alimenta a Matéria e a Vida. Há reciprocidade total. Esta é a visão oriental do mundo, a visão do mundo antigo onde Natureza e Espírito, Céu e Terra, Sol e Lua estão em eterna reciprocidade e harmonia.

É a isto que eu chamo o Ponto de Síntese. Onde tudo se encontra. Onde tudo é uno.

Adaptado de Satish Kumar - Spiritual Imperative

segunda-feira, junho 19, 2006

Humanidade

Jesus

Mais de 6.400 milhões de seres humanos habitam nesta nossa Terra: todos os dias… 100.000 deles morrem e outros tantos nascem. Este drama colossal tem ocorrido há dezenas de milhares de anos: talvez centenas de milhar, dos quais a História nem tem registo. Esta infindável procissão de Humanidade surge do desconhecido, atravessa o palco iluminado da vida humana, e desaparece novamente no desconhecido…

Cada um destes milhões que por aqui passou foi um Ser Humano, com os seus amores e medos, sonhos e esperanças como nós. Qual é o fim, o propósito de tudo isto? O que aconteceu a esta vasta procissão de seres que desapareceu no passado: onde estão eles agora? Desapareceram aos olhos dos seus sucessores, como se nunca tivessem existido. E nós, por nosso turno, durante alguns anos tentamos tecer os nossos sonhos em realidades. E que sonhos estranhos os Homens têm! Eles sabem que também irão, um dia, morrer.

Como é, então, que os homens usam os dias a eles concedidos? Alguns buscam poder e anseiam por acção: são os soldados, governadores e homens do Estado, mercadores, piratas, aventureiros, conquistadores. Outros procuram tornar-se eremitas e daí contemplar o mundo: estes são os artistas e os poetas, os escritores e filósofos, músicos e ascetas.

Mas para a maioria das pessoas, pode dizer-se que vivem vidas presas na rotina, que não escolhem, mas da qual não conseguem escapar: as suas mentes são condicionadas por um ambiente o qual nunca questionaram seriamente, ou que nunca supuseram que pudesse ser substancialmente diferente do que é.

Em resumo todos buscam a felicidade, mas poucos – muito poucos – sabem como a encontrar, ou onde procurar por ela. É um espectáculo emocionante, excitante, fascinante, cheio de lágrimas e risos humanos; mas terá algum sentido? É estranho, desesperadamente estranho, e quando o pensador usa a última porção dele próprio para pensar e desvendar este mistério, sentir-se-á provavelmente no final como

Uma criança a chorar a meio da noite,
E sem outra linguagem que não o choro.

Raynor C. Johnson The Imprisoned Spendour

domingo, junho 18, 2006

Da Dúvida ao Reencontro

Sukhothai Buddha

Em miúdo, disseram-me que a vida era cor de rosa. Mostraram-me a beleza do nascer do Sol, a espontaneidade da flor que desabrocha, a alegria do pássaro que aprende a voar...
Era miúdo, e acreditei no que me disseram. Julguei que Amor era tudo o que existia. Não me disseram que além do cor de rosa há outras cores. O roxo, o verde, o amarelo e o vermelho também faziam parte da vida... Desconhecia que o Sol se tinha de pôr antes de poder nascer outra vez.
E quando cresci, entristeci-me. Que horror de Mundo! Nada era cor de rosa... E o Sol não iluminava a noite. Não podia iluminar...
Quando cresci, nasceu a dúvida. E com a dúvida, nasceu a opção. E existem sempre três caminhos disponíveis: o da esquerda, o da direita e o do meio; o do sim, o do não e o do talvez; o quente, o frio e o morno; o vertical, o horizontal e o de síntese.
Então, ao observar uma qualquer estátua de Gautama o Buda, percebi que só um dos caminhos tem saída...

domingo, junho 04, 2006

Missão

A Mulher Sol

Sempre me senti diferente. Desadaptada. Desajustada.
Tentei muitas vezes adaptar-me a uma sociedade que teima em não valorizar a Verdade, a Pureza do Coração ou a Verdadeira Expressão do Ser. Tentei ser como os outros pensando que eu estava errada, que era incapaz e inferior.
Às vezes tentava consolar-me dizendo para mim própria que não tinha que ser igual aos outros, mas isso não bastava para perceber o que se passava comigo. Não bastava para mandar embora a frustração que sentia...

Aprendi então a afirmar-me perante mim e perante os outros usando toda a minha carga emocional instintiva. Achava que eu era aquilo que pensava e afirmava-me "contra" e não a partir da aceitação daquilo que eu era, e sou. Mas a Alegria, o Ânimo e a Motivação permaneciam longe de mim...

Um dia percebi que a Sensibilidade que tanto havia negado está na minha Essência, no meu Ser. Ela era o meu Tesouro escondido. É ela que me conduz à minha Missão, porque é ela que me permite entender o sofrimento dos outros, ajudando-os a dar sentido a esse sofrimento.
Surpreende-me saber que a Missão sempre esteve perto de mim. Como não a pressenti?

Perguntas àparte, hoje sei que Missão é aquilo que cada um de nós tem para acrescentar ao Mundo. É a Dádiva de cada um e essa Dádiva é única e por isso tão importante e especial.
Só se reconhece a própria Missão após um processo individual de "saber quem se É". E só após esse processo se pode acrescentar algo aos outros, à sociedade e ao mundo. Sem auto-anulação, sem auto-dissolução e partilhando o próprio Dom.

É esta a Dádiva. É isto a fusão da Alma com a Personalidade.

quinta-feira, junho 01, 2006

Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou.
O primeiro monge disse: "Oh não! A vela apagou!"
O segundo comentou: "Não tinhamos que ficar em silêncio completo?"
O terceiro reclamou: Por que é que vocês dois quebraram o silêncio?"
Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso: "Aha! Eu sou o único que não falou!"