O Novo Homem

"Não tenho medo da morte. Antes tenho medo da minha mente"

domingo, julho 30, 2006

Pessoas Felizes


Conheci a Melanie quando estava em Doncaster. Agora já não a vejo há algum tempo mas lembro-me bem dos seus frequentes ataques de sorrisos. Toda e qualquer pequena coisa merecia o sorriso da Mel. Até mesmo a crítica descabida. Era enorme a capacidade que ela mostrava de aceitar palavras mais duras contra ela, sem sequer mostrar um sinal de revolta. Sabia aceitar os outros como são e aprendeu a não esperar nada de ninguém... e é feliz.

A Camille passou-me despercebida durante meio ano. Num dia de Primavera, cruzei-me com ela num certo vão de escadas em Lyon. E como grande parte dos franceses que conheci, a Camille diz-se ateia. E ri-se quando lhe digo que é uma das pessoas mais religiosas que conheço. Tem uma enorme ligação com a Natureza, o que lhe dá uma habilidade imensa de aproveitar cada momento da vida. A Camille está hoje no Vietname, e posso apostar que a sua capacidade de amar já lhe valeu mais uns quantos amigos para a vida. Sei que não esperará nada deles (nem da própria Vida)... e é feliz.

O Minhaj conheci-o numa cozinha em Copenhaga. Cada vez que penso nele nasce-me uma enorme vontade de rir... A sua espontaneidade não lhe permitia pensar demais em nada que fosse. Simplesmente vivia. Deixava as coisas acontecerem, ao invés de andar em busca do que quer que fosse. E não esperava nada da Vida. Costumava dizer que ter comida, água, abrigo, trabalho e formação era tudo o que precisava. O resto era supérfluo para ele - e é feliz.

A Bé completa a lista de pessoas felizes de que agora me estou a lembrar. Conhecia-a em Lisboa e não consegui deixar de reparar nela logo na primeira vez que a vi. Havia qualquer coisa à volta dela assim meio invisível que ainda hoje não sei explicar – e o Minhaj ensinou-me a nem sequer tentar. Hoje sei que a Bé tem o riso mais espontâneo do Mundo e que é com essa arma que lida com os momentos mais difíceis. O segredo dela é não levar a Vida muito a sério e... é feliz.

domingo, julho 23, 2006

O Novo Homem


Há dias em que o Amor surge dentro de mim. Nem sequer chamo por Ele; Ele é que vem como um vento morno, não sei bem de onde, apanhando-me de surpresa.
E esta brisa que vem de fora - ou será de dentro? - faz-me ver o mundo como um imenso palco de cores e vida, onde só existe Paz.

Nestas alturas sinto as guerras como irreais, como se fossem uma invenção sem sentido... como é possível? Só existe o Amor. Tudo o resto é ridículo, são restos fictícios de um mundo que já não é.

Um Homem Velho dir-me-ia, condenatório: «Tens sorte por teres paz na tua vida, mas olha para os que sofrem, olha para as misérias do mundo. Estás a viver egoisticamente a tua vida fácil!»

Mas logo o Amor me sussurra: «...Para quê adicionar ao sofrimento mais sofrimento? Retorna antes Amor e Alegria. Olha os dramas com irrealidade – e talvez assim se tornem irreais. Cria comigo o Novo Mundo do Novo Homem»

E eu escolho ouvir o Amor. Nos dias em que Ele vem ter comigo e me enche, eu falo com a Sua voz, sem pensar. Através de mim, Ele espalha-se pelo ar em meu redor, pelas plantas, pelas nuvens, pelas pedras, e só já interessa o que é belo e o que flui.


Eu e o Amor continuamos a pulsar de Vida, a Amar a criação. E o Homem Velho afasta-se sisudo, julgando-se sério na sua armadura de medo. Não sabe que é preciso despir a armadura para poder entrar no Novo Mundo.

domingo, julho 16, 2006

Mensagem

Vocês estão a passar por uma fase de fortes tentações.

À medida que a Luz aumenta, a sombra tenta resistir-lhe. Percebam isto e não se deixem afectar.
Quando alguém, em desarmonia, vos tentar desarmonizar, não entrem no jogo e sobretudo, não entreguem o vosso poder aos outros. Para não se deixarem afectar precisam de estar centrados na Luz. Não hesitem em chamar por Ela. E lembrem-se que a vossa real sintonia é com o vosso Eu Superior.

O planeta precisa de Luz e de Paz, da Luz e da Paz de cada um de vós.

À sombra respondam com Luz.
À agressividade respondam com gentileza.
Ao medo respondam com Amor.

O Novo Homem cria a sua realidade a cada momento. Pratiquem isso e não desanimem, pois só o Amor é real.

domingo, julho 09, 2006

Navegar é Preciso


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa