O Novo Homem

"Não tenho medo da morte. Antes tenho medo da minha mente"

domingo, agosto 20, 2006

A Busca


Anseio por algo mais. Algo que não existe nesta Terra. Por mais que eu busque, por mais que eu leia e pesquise, e pergunte a quem sabe, por mais que observe dentro e fora de mim, em cada templo, cada religião, cada ritual, por mais que rebusque e que corra o mundo todo uma vez e outra… nunca o vou encontrar, porque esse Algo não está aqui.

Ou talvez esteja mas eu não o vejo?

Este Algo é apenas um lugar onde posso estar sem estar a fazer coisa alguma. Onde todos me amam e eu amo a todos. É uma magia indizível, onde tudo é possível. Uma beleza feita de todas as cores, um paraíso de luzes e sons e cheiros e toques nunca antes sentidos. Onde toda a acção surge do lazer criativo, onde não há outra obrigação senão a que o meu próprio coração se impõe, que é de amar.

Onde posso andar e correr e voar e percorrer galáxias se assim a minha força interior se expandir. Onde posso criar novos animais, novas músicas, novas flores, novas linguagens. Onde se pode brincar aos Deuses sabendo que tudo serve para experimentar a infinita energia do Amor.

Como sei que este lugar existe? Será memória, será sugestão? Será apenas um arquétipo de paraíso, comum a toda a raça humana? No fundo busco a plenitude, o mundo ideal de amanhã mas sabendo que só existe o presente.

Sei que este Algo é real e busco-o constantemente, a cada dia que passa. É uma ânsia que não controlo, que se apodera da minha existência e me dirige cada gesto. Todas as acções da vida material são remetidas a um canto, tão grande que é a minha sede de Busca.

Busco. Mas sei que o que busco não está aqui.

domingo, agosto 13, 2006

O que é Amar?

Sue Blondell - "Pure Love"

O que é Amar?
O Amor é uma abundância.
Amar é exprimir a abundância da Vida, em mim.
Na sua essência, acrescentar mais Vida,
ao Mundo e aos outros.
Quando amo, dou Vida aos outros.
Dou exactamente a Vida que lhes falta.
Por isso todos se sentem tão bem
quando são amados.

E essa Vida, onde a vou buscar?
À fonte de toda a Vida que me habita.
A Deus, em mim.

A ilusão amorosa consiste em julgar
que a vou buscar ao outro a quem julgo amar.
Como é possível? Se o outro também tem, algures, uma Lua,
um vazio ou uma insatisfação existencial?

Temos primeiro que encontrar em nós
essa Vida abundante, essa fonte amorosa...
Fazer "as pazes" com Deus que somos.
Para depois a poder partilhar,
irradiar, ou ensinar.

Maria Flávia de Monsaraz,
in «Vénus - o gérmen da vida, da forma, do amor»

segunda-feira, agosto 07, 2006

"Se o Tempo está a ser criado algures, esse algures é a tua mente."

Perco-me na imensidão do tempo. O espaço nada me diz, nada me revela de especial. Demoro a reencontrar-me. E respiro fundo. Sei que Deus não está aqui, sei que há muito tempo que não está aqui. Sei que existe, mas não está aqui. Deixou-me todo este Mundo para explorar. Para descobrir. Para rir e chorar. Para respirar e sufocar. Para dormir e acordar.
Mas Deus? Deus não está aqui. Está sim, para lá desta cortina de fumo escuro, deste manto negro que me envolve mas que não me cobre.

A minha mente desilude-se. Pergunta-me “porquê?”. E tento explicar-lhe que nada disto é real. Que a realidade não está aqui, que está para lá do véu. Que tudo isto não passa de um enorme teatro. Mas de nada serve a explicação. A mente foi feita para perguntar e explicar o que a rodeia. Não para aceitar grandezas maiores que ela. Sei que não sou a minha mente. Pouco tenho a ver com ela. E por isso, escolho não ligar às perguntas.

Por fim, resta-me continuar. A trilhar um caminho que às vezes julgo não ser meu. A conhecer espaços que nada me dizem. A olhar para pessoas sem conseguir ver gente. A esperar por um tempo que há-de vir.
Sinto que Deus está longe. Mas peço-lhe para me aceitar de volta. Quero sair daqui. Quero voltar à Origem.